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Menos streams significam menos receita? Não necessariamente

Mudanças do comportamento dos fãs em plataformas de streaming e seus efeitos no seu bolso

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As coisas estão um pouco turbulentas no mundo agora, então gostaríamos de ter um momento para dar aos nossos artistas uma noção de como as coisas estão mudando e o que isso pode significar para o bolso deles.

Antes de tudo, o consumo de streaming diminuiu substancialmente desde o início da pandemia. Ao mesmo tempo, a visualização de vídeos parece estar crescendo cada dia mais, já que as pessoas deixam suas TVs ligadas em segundo plano durante o dia, além de fazerem uso de outros serviços de vídeo streaming.

Esse salto no comportamento de assistir a vídeos em todas as plataformas significa que é um ótimo momento para fazer upload de vídeos no YouTube, criar novos vídeos para faixas mais antigas (que talvez nunca tenham sido lançadas oficialmente), e é claro, fazer LIVEs para o seu público. Para se inspirar nesse último aspecto, temos aqui alguns exemplos: Gloria Groove (https://www.instagram.com/p/B-Z4mZKBvYi/), Péricles (https://www.youtube.com/watch?v=3-WKbjVQN-A&t=9s), Pixote (https://www.youtube.com/watch?v=qSDICYxQda8) , cujas transmissões ao vivo foram uma aula de engajamento do público. Você também pode navegar pelas hashtags #StayHome ou #FiqueEmCasa pelo Instagram para assistir os conteúdos de diversos artistas e influencers.

Agora que falamos sobre as oportunidades de vídeo, a pergunta permanece: “o que está acontecendo com os serviços de streaming de música, por que parece que a audiência que está caindo?” Existem várias razões possíveis para essa crise, mas algumas das principais são as seguintes:

  • As pessoas não estão viajando nem indo para nenhum lugar, portanto, não estão ouvindo suas playlists preferidas nem fazendo atualizações todos os dias com as músicas novas. Essa crise interrompeu uma rotina que existia e os momentos em que seus fãs normalmente descobriram novas músicas parecem diferentes ou podem não estar acontecendo. As compras de supermercado, o cozinhar o jantar ou o simples fato de ir à academia está diferente e continuará sendo no futuro próximo. Em termos gerais, isso significa que as pessoas estão ouvindo música mais tarde, em casa, ao invés de ser no fone de ouvido na rua ou no trabalho.
  • Alguns dos maiores artistas do mundo pressionaram a pausa nos lançamentos. Artistas como Sam Smith, The 1975, Alicia Keys e Lady Gaga arquivaram lançamentos programados à luz da mudança. Enquanto The Weeknd e Childish Gambino foram legais o suficiente e mantiveram seus lançamentos, alguns outros grandes nomes estão menos dispostos a arriscar. Menos lançamentos massivos significam necessariamente menos tráfego geral para as plataformas de streaming de música.
  • Por fim, o tipo de música que gera engajamento está mudando à luz dos tempos. Dois gêneros que tiveram um aumento notável no consumo são a música ambiente e infantil. As playlists que os fãs estão criando ou reproduzindo refletem desproporcionalmente a nova domesticidade das pessoas. Playlists para cozinhar, limpar, relaxar, tomar banho ou desfrutar uma refeição – e o artista pode muito bem oferecer uma  solução para a trilha sonora dessas tarefas um tanto mundanas que estão ocupando mais nossas vidas agora.

Então, o que tudo isso significa para a receita mensal? No YouTube, vimos um aumento nas visualizações, mas os retornos iniciais de receita por anúncios não foram tão promissores assim. Isso ocorre, em parte, porque setores inteiros optaram por conter os gastos com anúncios enquanto aguardam a solução da quarentena. Você pode pensar aqui em empresas de hotéis, viagens, imóveis e formas de entretenimento que visam tirar as pessoas de casa. Até que essas e outras empresas retornem a gastar no mercado, haverá necessariamente uma menor receita publicitária para chegar até os artistas.

Isso significa um declínio na taxa de preenchimento do YouTube, que corresponde à frequência com que um potencial espaço publicitário é reservado ou “preenchido” por um anunciante. Essa taxa de preenchimento em declínio também significa um CPM geral mais baixo; o preço por impressão dos anunciantes (e a receita no bolso do artista) está caindo. Por enquanto, o artista pode ver, paradoxalmente, um aumento no número de visualizações de seus vídeos e um declínio no pagamento real que você recebe do YouTube por essas visualizações. Mas, nós prevemos que essa demanda reduzida não vá durar mais do que alguns poucos meses.

Enquanto isso, nas plataformas de streaming de música, como Spotify, Deezer, Tidal e Amazon, pode ser exatamente o oposto – o artista pode receber o mesmo pagamento de sempre com menos quantidade de streams. O que acontece é que os pagamentos por streaming de música não são calculados estritamente por streams. Em vez disso, eles são calculados como uma porcentagem da quantidade total de streams que ocorre na plataforma em um determinado mês. Poderíamos orientá-lo com todos os números envolvidos, mas o principal argumento aqui é que, enquanto sua proporção de streams permanecer a mesma, você deverá obter uma receita similar à do último mês.

Dependendo das circunstâncias, pode valer a pena lançar sua música agora. Se houver uma menor competição para as playlists semanais e se a contagem de menos streams for paga com uma taxa mais alta, o artista terá a oportunidade de fazer mais sucesso com este lançamento do que faria normalmente com seus outros trabalhos. Pelo esforço dos artistas que continuam seus planejamentos, os streams dos novos lançamentos já estão voltando a subir.

Esta crise é obviamente uma tragédia global. A carreira de ninguém será feita com base na pandemia ou interrompida por causa dela, mas isso não significa que você não pode continuar fazendo música e alcançar ainda mais fãs. Mantenha a confiança, fique por dentro das mudanças que ocorrem no mercado e seja criativo.

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